Em nota divulgada nesta segunda (11) a respeito do possível massacre de indígenas isolados no rio Jandiatuba, no interior da Terra Indígena Vale do Javari, a Diocese do Alto Solimões manifestou seu “máximo repúdio a este e a todo ato de violência para com nossos irmãos indígenas”, denunciando os prejuízos que a mineração vem provocando há anos nesta região. A nota, assinada pelo Bispo de Alto Solimões (AM), Dom Adolfo Zon Pereira, lamenta “o patrocínio pelo poder público federal à mineração em detrimento das minorias, especialmente dos Povos Indígenas”. Confira:

Nota da diocese do Alto Solimões sobre os fatos nas terras do Jandiatuba (AM)

“Os povos indígenas têm o direito coletivo de viver em liberdade, paz e segurança, como povos distintos, e não serão submetidos a qualquer ato de genocídio ou a qualquer outro ato de violência…”. (DPI Art 7º # 2)

Diocese do Alto Solimões, ao tomar conhecimento do suposto massacre dos índios isolados conhecidos como flecheiros acontecido no mês de agosto deste ano no rio Jandiatuba (São Paulo de Olivença-AM), na Terra Indígena do Vale do Javari, e envolvendo garimpeiros que trabalham no local, quer manifestar seu máximo repúdio a este e a todo ato de violência para com nossos irmãos indígenas, denunciar os prejuízos que a mineração provoca há anos no rio Jandiatuba e lamentar o patrocínio pelo poder público federal à mineração em detrimento das minorias, especialmente dos Povos Indígenas.

Pede que o Governo Federal assuma com firmeza seu papel constitucional e subsidiário na política indigenista, respeitando e protegendo as terras demarcadas e completando as demarcações na calha do Jandiatuba e garanta uma efetiva proteção às áreas indígenas fortalecendo as bases de vigilância da FUNAI, que nestes últimos anos sofrem com o descaso e os cortes de recursos.

Manifesta seu total apoio ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal para que as investigações iniciadas possam ter seu desenvolvimento e punam os suspeitos mandantes e executores deste vil crime, auspicando que seja feita efetiva justiça.

Reafirma com palavras do papa Francisco que “é preciso assumir a perspectiva dos direitos dos povos e das culturas, dando assim provas de compreender que o desenvolvimento dum grupo social supõe um processo histórico no âmbito dum contexto cultural e requer constantemente o protagonismo dos atores sociais locais a partir da sua própria cultura” (Encíclica Laudato Si’ n. 144).

Agradece as muitas manifestações de solidariedade e apoio de bispos e entidades que nos chegaram nestes dias pelos diferentes meios de comunicação.

Nossa Senhora da Assunção, padroeira da Diocese, interceda e proteja a quantos, pela ganância e sede de lucro de poucos, são ameaçados e desrespeitados em seus direitos.

Tabatinga, 11 de setembro de 2017.
Dom Adolfo Zon Pereira – Bispo de Alto Solimões (AM).

Fonte: http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&action=read&id=9467