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Da Redação – Folhamax

Indígenas de 33 etnias em Mato Grosso participam de curso para formação de professores em Barra do Bugres (150 km de Cuiabá). O curso visa qualificar educadores para atuarem nas 71 escolas indígenas do Estado e atenderem mais de 10 mil alunos.

O curso é resultado de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer (Seduc-MT) e a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). O projeto também conta com o apoio do Plano Nacional de Professores (Parfor) do Governo Federal.

São 120 acadêmicos e indígenas divididos nos cursos de licenciaturas em Pedagogia Intercultural e Línguas, Artes e Literatura, Ciências Sociais e Ciências da Matemática e da Natureza. Os módulos são realizados durante o período de férias escolares para facilitar o ingresso dos educadores. Nos períodos intermediários, os acadêmicos realizam etapas nas escolas localizadas nas próprias aldeias, com a supervisão de profissionais da Unemat.

O curso conta com uma duração de cinco anos. Segundo o coordenador da Educação Escolar Indígena, Sebastião Ferreira de Souza, este primeiro módulo vai até o próximo dia 17 de dezembro. Durante todo este período, os acadêmicos ficam alojados em uma escola agrícola em Barra do Bugres, enquanto as aulas são ministradas no campus René Barbour. Conforme o coordenador, a Seduc investe aproximadamente R$ 1,2 milhão no curso por ano.

Sebastião Ferreira explicou que a formação conta com uma proposta diferenciada, pois os professores precisam aprender a ensinar nas duas línguas, tanto no português, quanto nas suas línguas maternas. “É uma proposta totalmente especial, que visa deixar os educadores muito bem preparados, uma vez que até o segundo ciclo, os jovens contam com aulas de todas as disciplinas somente em suas línguas maternas”, afirmou.

De acordo com o diretor de Gestão e Educação Escolar Indígena, Adailton Alves da Silva, responsável pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática da Unemat, o curso já foi responsável pela formação de mais de 450 educadores indígenas.

Adailton também destacou a importância da parceria e olhar mais humanizado do Estado com relação à educação indígena. “É um público específico, que como tal conta com as suas necessidades e o seu tempo. Olhar e dar real valor para esta diversidade tem feito toda a diferença na formação dos acadêmicos”.

Segundo Adailton, a educação diferenciada tem feito tanta diferença na vida das comunidades, que cada vez mais jovens têm procurado o curso. “Esta é a nossa turma de alunos mais jovem que já tivemos. Isso exemplifica que cada vez mais eles concluem o ensino médio e sentem a necessidade de procurar formação e repassar o conhecimento”.

FONTE: http://www.folhamax.com.br/cidades/educadores-de-33-etnias-de-mato-grosso-participam-de-curso-de-formacao/107791