Por Renato Santana, da Assessoria de Comunicação – Cimi

 

Os incêndios dos últimos anos, as constantes invasões de madeireiros e a atual ofensiva do governo de Michel Temer contra a Amazônia, autorizando por decreto a sua destruição, levaram os Guajajara/Tenetehar da Terra Indígena Arariboia, no Maranhão, a se mobilizarem. No final de semana, os indígenas ocuparam a sede regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), no município de Imperatriz – a 626 km da capital São Luís.

Na sexta-feira, 25, os Guajajara encaminharam um documento ao presidente da Funai, o general Franklimberg Ribeiro de Freitas. Esperaram por uma resposta, que não chegou. “Decidimos pelo ato pacífico para demonstrar nossa insatisfação com a falta de respostas para problemas antigos”, explica Franciel Guajajara, coordenador da brigada Guardiões da Floresta da TI Arariboia.

O documento também foi endereçado ao Ibama e Polícia Federal. Os Guajajara reivindicam fiscalização permanente com a construção da Base de Proteção no território. São 12 mil indígenas residentes na TI Arariboia – além dos Guajajara, abriga os Awá-Guajá em situação de isolamento voluntário. “Arriscamos nossas vidas e deixamos de fazer outras atividades. Precisamos de uma ajuda de custo”, diz Franciel.

A terra indígena é dividida em oito microrregiões: Lagoa Comprida, Arariboia, Canudal, Bom Jesus, Angico Torto, Zutiua, Abraão e Barro Branco. Com 413.388 hectares (Cimi, 2017), a Arariboia possui diversas “portas” para invasores e os indígenas pretendem articular melhor a rede entre as aldeias. Os Guardiões, deste modo, solicitam equipamentos de comunicação e também postos de vigilância em cada uma das áreas.   

“Temos uma preocupação com as invasões. Porque precisamos proteger os Awá isolados e o nosso povo, que tem lideranças ameaçadas, criminalizadas e mortas. É nosso dever proteger o território, mas fica injusto a gente lutar contra homens bem armados, que pegam a gente de tocaia. Governo precisa nos apoiar”, destaca Franciel. Nos últimos anos, entre as terras Guajajara, ondas de assassinatos e incêndios de origem criminosa (só em 2015, conforme o Greenpeace, 30% de floresta virou cinzas na Arariboia) colocaram o Maranhão no mapa mais destacado das violações de direitos e violências contra os povos indígenas.  

Em junho deste ano, indígenas Gamela, Krikati, Guajajara, Gavião e Kanela ocuparam por mais de uma semana a sede da Funai, em Imperatriz. A principal exigência era participar da escolha do novo coordenador regional do órgão indigenista.

 

Educação: mais protestos

Desde quinta-feira, 24, os Guajajara retêm dois carros da Secretaria Estadual de Educação do Maranhão, conforme as lideranças do povo. “Prendemos os carros porque não somos recebidos, ninguém atende. Chega aqui e não resolve, trata mal. Seguramos os carros não foi pra vender não, nem pra usar particular. Prendemos pra protestar e exigir que resolvam os problemas da educação”, afirma um Guajajara.

Há dez anos os indígenas aguardam a conclusão da construção de escolas e a reforma de unidades em uso. “Já tinham pessoas contratadas para fazer. Disseram que em dez dias a escola tava pronta. Com cinco dias levaram eles daqui. Mudaram empresa e até hoje não apareceram mais aqui. Nem Seduc, nem nada. Isso é direito das crianças, do nosso povo. Por isso comunidade ficou revoltada”, explica.  

De acordo com os indígenas, a ação de protesto ocorreu a partir de um descontentamento generalizado e não houve uma estratégia definida previamente. “Quem não se revolta de ver essa enganação e as crianças tudo tendo aula sentada no chão, sem estrutura e nem nada?”, encerra o Guajajara.

Fonte: http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&action=read&id=9455