Povos indígenas do país e da América Latina estão reunidos até o dia 21 para discutirem suas experiências em museus e processos de registro das suas culturas. A terceira edição do Fórum Nacional de Museus Indígenas ocorre, de 19 a 21 de outubro, na Comunidade Nazaré, do povo Tabajara, localizada na zona rural do município de Lagoa de São Francisco, no Estado do Piauí.

O encontro é promovido por meio de uma parceria entre a Rede Indígena de Memória e Museologia Social e as organizações que dela participam, a Associação dos Povos Indígenas Tabajara Tapuio Itamaraty da Comunidade Nazaré e os demais povos indígenas do estado do Piauí. As primeiras edições do Fórum Nacional de Museus Indígenas foram realizadas nos estados do Ceará (Museu dos Kanindé, aldeia Sítio Fernandes, Aratuba-CE, maio de 2015) e de Pernambuco (Museu Kapinawá, aldeia Mina Grande, Buíque-PE, agosto de 2016).

Embora existam registros históricos da presença de populações indígenas em todo o atual território piauiense, a existência contemporânea de indígenas na região ainda é alvo de polêmicas. Predomina-se entre o senso comum uma visão baseada em estereótipos, preconceitos e em uma perspectiva folclórica que pouco condiz com a dinâmica realidade destas populações. Nos últimos anos, surgiram várias reivindicações por direitos específicos oriundas de organizações indígenas. Destacam-se as mobilizações dos Cariris da Serra Grande (Queimada Nova), dos Codó Cabeludo (Brasileira e Pedro II) e dos Tabajaras de Piripiri organizados na Associação Itacoatiara, fundada em 2005, e, na localidade Canto da Várzea, com a organização indígena Associação Tabajara Y-pi. Além desta, a comunidade indígena Tabajara de Nazaré, no município de Lagoa de São Francisco, na região norte do Estado, nos últimos anos protagoniza um crescente processo de organização em torno do reconhecimento étnico.

Com o objetivo de fortalecer a luta dos povos indígenas do Piauí na construção de uma nova história que parte do ponto de vista das populações que habitam esse território desde antes da chegada dos europeus, o III Fórum Nacional de Museus Indígenas ocorre no estado. O encontro reúne representantes indígenas e parceiros que desenvolvem processos museológicos e de registro da memória em seus territórios, a fim de dar continuidade às trocas de experiências e saberes, articulação interinstitucional e formação em rede, propiciados pela Rede Indígena de Memória e Museologia Social desde 2014.

O III Fórum Nacional de Museus Indígenas tem como principais objetivos efetuar um intercâmbio entre povos indígenas para a troca de experiências, conhecimentos e saberes, articulação interinstitucional e a formação em rede. Além de indígenas de todo país, o encontro contará também com a participação de representantes da Red America de Museos Comunitarios e da Unión de Museos Comunitarios de Oaxaca (UMCO), promovendo um diálogo latino-americano entre os povos do continente.

Ana Heloisa d’Arcanchy – Ascom/Funai

Com informações da Rede Indígena de Memória e Museologia Social no Brasil http://redememoriaindigena.net.br