Por Claudia Weinman, para Desacato. info. 

Indígenas Kaingang realizaram uma mobilização ontem, dia 15, na BR-285, no trevo de acesso aos municípios de Gentil e Água Santa, no Rio Grande do Sul. Educadores indígenas, estudantes e comunidade foram até o trevo carregando cartazes em repúdio a Reforma da Previdência. Conforme informado pelo representante do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), de Frederico Westphalen (RS), Ivan Cesar Cima, após a publicação de algumas fotos por um veículo de comunicação de Passo Fundo, o cenário de preconceito e ódio contra as populações indígenas ficou ainda mais evidenciado.

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Mobilização realizada ontem pelos Kaingang.

Ivan Cesar Cima salientou que será encaminhada uma denúncia ao Ministério Público de Passo Fundo para que interpele ações contra as pessoas que fizeram comentários preconceituosos contra a população indígena.

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Comentários feitos nas redes sociais virtuais.

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Conforme o Professor que participou do ato no dia de ontem, Alvandi Ribeiro, Kaingang da TI Campo do Meio, a comunidade indígena repudia os comentários preconceituosos. “O nosso objetivo com a mobilização realizada ontem foi de mostrar que somos contra a reforma da previdência, porque sofremos as consequências desse Governo e sabemos do perigo que essas reformas apresentam para todos nós. Por conta disso, de termos ido protestar, sofremos com comentários racistas, usaram de muito preconceito contra a gente”.

O Educador falou que nos comentários os indígenas foram denominados como “vagabundos, baderneiros”. “Nós somos trabalhadores, estou trabalhando há muitos anos na escola, não sou preguiçoso ou vagabundo. Da minha folha de pagamento são descontados R$ 161,34, eu sou contribuinte, tenho direito de protestar contra a reforma da previdência que vai atingir toda a sociedade. Estou na escola para mostrar para as crianças que precisam lutar pela dignidade. O meu povo é trabalhador, não merecemos morrer, como foi dito”.

O Educador ainda disse que os indígenas são contra o racismo e vão encaminhar cópias dos comentários ao Ministério Público. “Somos contra o racismo nesse país, as pessoas não estão entendendo que estamos lutando pela sociedade inteira, e acabam vindo nos xingar, mas não vamos nos calar diante disso”, finalizou.

Fotos: Alvandi Ribeiro.

Fonte: http://desacato.info/nao-merecemos-morrer-diz-educador-indigena/