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Lideranças querem expulsar 250 “brancos” da Reserva. São 60 pontos de drogas e um terço das crianças recrutadas

Sem policiamento a contendo da comunidade indígena, parte da Reserva de Dourados virou refúgio de bandidos. A denúncia é das principais lideranças das aldeias Jaguapirú e Bororó. Segundo elas, em recente mapeamento feito pela Comunidade foram constatados mais de 60 pontos de drogas.

A comunidade vive amedrontada. Famílias, que já sofrem com a miséria, perdem tudo o que conseguiram através dos programas sociais, por causa da dívida das drogas, que só aumentam. As lideranças também apontam mais de 260 não-índios vivendo na comunidade e que utilizam a área para se refugiar de crimes diversos.

“Muitos deles fazem parte de quadrilhas especializadas em furtos, desmanches, receptação e tráfico de drogas. Daqui sai muito do que é roubado na cidade e, apesar de denunciarmos os casos para a polícia, nenhuma providência é tomada. Nas raras vezes que a Polícia apareceu aqui, a informação vazou antes e os policiais nada apreenderam. Os bandidos se aproveitam que não há segurança e tomam conta da reserva. Exploram nossos patrícios, matam, ameaçam, roubam e fazem das aldeias seus verdadeiros impérios”, destaca o cacique Silvio de Leão, da aldeia Jaguapiru.

Segundo ele, apesar de ser um direito constituído do índio, as lideranças não conseguem fazer a retirada de integrantes que eles consideram nocivos, porque há resistência de até mesmo pessoas ligadas ao poder público. “Um servidor esteve na Reserva e não deixou que a comunidade fizesse a retirada pacífica de um pistoleiro, que está na comunidade a serviço de fazendeiros. Além de não ser índio, ameaça a comunidade, rouba, atira nas pessoas, aterroriza e quebra qualquer regra indígena aqui. Fomos praticamente ameaçados por esse cidadão”, destacou a liderança Valdinez Ramirez.

Expulsão

De acordo com as lideranças, a polícia aparece na aldeia para fazer reintegração de posse expulsando o índio de suas terras, mas ninguém toma providências com relação as terras dos indígenas que são invadidas diariamente. “Por causa disso, temos uma lista de 260 não índios nocivos à comunidade e que serão expulsos. Queremos respostas porque essas pessoas invadem nossas aldeias e ninguém faz nada. Se for preciso vamos garantir esse direito fechando estradas e protestando. Se o índio não pode ocupar suas terras, os brancos também não devem invadir nossas aldeias”, destaca.

PF

A Polícia Federal de Dourados informou que não é autorizada a fazer policiamento ostensivo da reserva e que só pode atuar em casos de conflitos por terras.

PM A Polícia Militar diz que está realizando rondas ostensivas dentro da Reserva, assim como faz em todos os bairros de Dourados, mas que não tem condições de permanecer com equipes 24h no local por uma questão de estrutura.

PC

A Polícia Civil de Dourados informou que o seu papel é de de investigar crimes, assim como faz no restante da cidade. Neste sentido, registrou durante o ano de 2016 um total de 259 ocorrências policiais envolvendo a questão indígena. Segundo a PC, foram casos de homicídios, violência doméstica, lesão corporal entre outros. Em todos os casos foram instaurados inquéritos ou termos circunstanciados de ocorrência. A Polícia disse ainda que não recebeu detalhadamente o mapeamento feito pelas lideranças, mas que pretende atuar em parceria com a Polícia Federal e Polícia Militar para fazer o enfrentamento do tráfico nas aldeias.

Fonte:http://www.folhadedourados.com.br/noticias/dourados/traficantes-invadem-aldeias-e-escravizam-indigenas